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Na maca da casa mortuária

o dedão do pé observava:

-Exangues o baço,o fígado,os pulmões e os rins.

Desorbitados, os olhos descansavam numa consola.

Aliviadas as partes do intestino repousavam na lixeira.

Tudo em paz…….

Angustiado, saudoso, louco, mudo, quedo, frio e consciente

o coração,

secava virado do  avesso,

lembrando de ti……………

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No casco do meu corpo frágil

és o mar que me abraça.

Quero sempre ser caravela

Quero sempre em ti navegar

Escrever sem pensar

Viver sem parar

E como nau epopeia

Não quero em terra soçobrar!

FIM

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Teus dedos,marinheiros experientes

fazem-me partir

Teus olhos,duas velas que o vento do amor

fazem bulir.

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Espelhos nas ondas,todo o mundo viu……..

A espuma abraçando a areia,também já se cantou….

O rochedo negro e solitário,data de há muito…..

mas para mim todos eles só hoje existiram!

Hoje

tudo grita dentro de mim

Renascimento!

À procura dum céu sem fim

Descobrimento!

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(a 2 vozes na cozinha)

TENHO O ARROZ AO LUME

sonho com teus dedos em meu corpo

APAGO O LUME

sonho com teus beijos a ferver

MEXO A PANELA

é teu cabelo que rebolo

PROVO O ARROZ

é tua saliva que absorvo.

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Rasgo as folhas

uma atrás doutra

Porque as palavras são como os gestos:

Não os domino;

Mas também não são

Porque os gestos-eu faço….

As palavras-não…

Se eu estivesse no micro,agora,

cantava só para ti….

E era assim que eu conseguia

                                                   comunicar!

Como não estou

Mando-te as palavras

E tu farás a Música

Mais alegre do que eu faria.

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Em pé

em cima do parapeito

da janela

do prédio

da avenida

do bairro

daquela cidade

capital do país

do continente europeu

no planeta Terra….ela

saltou,

caíu

e foi parar

ao passeio,

….

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Semblante caído

Palidez extrema

Semi-círculos roxos,qual lírios murchos

Por baixo das órbitas

Um leve buço desponta,desleixo de alma

Cabelo revolto sem brilho

Figura calma

quieta e morna

Sem alimento nem devoção

Limpa por fora à força de sabão..

Eis-me aqui…………..

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De trevas e luz

complementaridade paradoxal

de umas para outras

sem vigia nem acendalha

me desfaço no umbral.

Umbral de mim

umbral da vida

Centro ainda não tangível

neste corpo perecível

Hoje…mais trevas que luz.

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De ti quero

a minha liberdade

e o palácio dos sonhos todos que tiveste

Dou-te em troca

A cidade do meu eu

E o reinado deste império que nasceu:

O nosso!